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Ergonomia no ambiente de trabalho e EEG transportável


A ergonomia é um dos campos da neurociência aplicada e é a responsável pela análise do comportamento no ambiente de trabalho e a visão de como transformá-lo de modo que a eficiência, segurança e conforto se sobreponham. Juntamente com a evolução desse campo há o crescimento da tecnologia e técnicas voltadas para a área, podendo trazer melhores ambientes de trabalho e uma melhor compreensão dos aspectos cognitivos dos funcionários.

Uma das tecnologias que está permitindo avanços em análise é a aplicação de EEG transportável, conhecido como MoBI(Mobile Body Image), teve como um dos seus primeiros estudos o efeito da diferença de idade em relação ao trabalho monótono, de cognição alternada e de carga física. Há alguns estudos pré existentes na área realizados em laboratório que indicam que fatiga relacionada a realização de tarefa cresce com o avanço da idade, e não só fisicamente, mas mentalmente também, no entanto, durante um ambiente dinâmico, com variações de tarefa, qual o resultado?

Em uma simulação de ambiente de trabalho houve a participação de 12 idosos(55-73 anos, com média de 64) e 13 jovens adultos(20-29 anos com média de 25.3) durante o período de 4-5h de trabalho. Eles performaram uma atividade cognitivamente monótona, uma tarefa de ritmo próprio e uma de exigência física em uma ordem pré definida. Tarefas de ritmo próprio cognitivo, físicas e análises espectrais do EEG indicaram que participantes jovens sofriam de maior monotonia. Adultos mais velhos no entanto, sofriam por ineficiência na capacidade de processamento de informação. Os testes foram feitos por meio de variações do EEG pelo tempo, sincronização de piscadas, análises dos resultados do trabalho com o decorrer do tempo correlacionado com a atividade.

EEG transportável usado no experimento

O design da interação de trabalho foi baseada em um real ambiente de trabalho. As tarefas alternavam entre mover pacotes (física) e interagir com sequências em computador, sendo estas monótonas ou auto regulativas. Durante todo o percurso de trabalho o EEG acompanhou os participantes sem atrapalhar as atividades, sendo recordado de forma mobile, permitindo assim comportamento natural.

Os registros gerais foram de fatiga estável em jovens adultos, mas crescente em idosos e em ambos os grupos o nível de fatiga estava correlacionado com o nível de produtividade, sendo as atividade monótonas em computador as que contribuem mais para o crescimento de fadiga, sendo essas as que mais afetam os jovens adultos.

As análises comportamentais e neurobiológicas indicaram que idosos tendem a lidar melhor tarefas monótonas do que jovens adultos, sendo a taxa de erro nas atividades crescente com o decorrer do prolongamento da atividade e diminuindo ao ocorrer troca de tarefa, o que no caso dos idosos ocorre apenas uma estabilização. Porém, toda vez que havia troca de tarefas os idosos tinham dificuldade de adaptar-se novamente, tendo então um declínio em todo início. Por meio desse estudo é possível designar quais os meios cognitivos que cada grupo é mais influenciável e desenvolver um ambiente de trabalho que melhore a qualidade de vida do empregado e aumente o potencial do trabalho realizado.

Referências: WASCHER, Edmund et al. Age-sensitive effects of enduring work with alternating cognitive and physical load. A study applying mobile EEG in a real life working scenario. Frontiers in human neuroscience, v. 9, p. 711, 2016.

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