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Influência do Contexto na Arte


“A arte é uma estratégia evolutiva e adaptativa da

espécie humana e de toda a espécie viva também, não só nós. Todas as

coisas vivas recorrem a algum critério artístico para poder sobreviver.”

-Jorge Albuquerque Vieira (Teoria do Conhecimento e Arte)

Evolucionalmente a capacidade de reconhecer objetos, posicioná-los em meio a um contexto e dar valor é um ato extremamente rebuscado. As várias etapas que envolvem desde os cristalinos nos olhos alterando suas distâncias focais, as pupilas variando de acordo com a luminosidade, os músculos oculares trabalhando para seguir a posição de um objeto, os sinais que chegam aos córtices visuais, e então, criados mapas de reconhecimento que definem a aparência do objeto, paralelamente também há trabalho em diversas áreas como nos córtices somatossensitivos laterais que mapeiam a atividade muscular do pescoço e face, e também estruturas relacionadas a emoções que esse objeto desperta, havendo ativação do tronco cerebral, prosencéfalo basal e tálamo, aumentando ou diminuindo sua frequência cardíaca, alterando sua sudorese e mudando a sua percepção.

Na arte têm-se uma grande participação desse mecanismo de reconhecer objetos e agregar valor. Juntar os domínios de tempo de observância, experiência, contexto e entendê-los é o objetivo do estudo feito por David Brieber. 44 estudantes de psicologia voluntários, com idades entre 18 e 31 anos, foram divididos randomicamente entre dois grupo, um seria levado a contextos específicos para obras, como o museu, e o outro veriam as artes em um laboratório. Utilizou-se Eye Tracker para medir o tempo em que os estudantes passavam observando as obras, etiquetas, quantas vezes piscavam e tamanho das pupilas. No final da exibição o participante preenchia um questionário contando sua experiência geral e o entendimento decorrido sobre as artes visualizadas.

No estudo chegaram à conclusão que participantes que viam arte em contextos específicos, como em museus, apreciavam mais e as achavam mais interessantes, também conseguiu-se modular o tempo que os participantes visualizavam nas obras alterando partes do ambiente. Quando as obras estavam em museus os participantes tendiam a passar mais tempo refletindo e tentando resolver a mensagem da obra do que em um laboratório, que logo os fazia perder o interesse. Outro resultado é que não houve uma relação positiva entre tempo de leitura de etiquetas explicando o contexto e o entendimento da obra em si, mas sim com o tempo de observação da obra, o que demonstra que apresentação e contexto são mais importantes que explicações puras quando trata-se de arte.

O trabalho realizado nesse estudo abre novas formas de pensar a formulação de apresentações de artes e produtos; induzir que as pessoas comuniquem-se mais com o que lhes é apresentado e sejam introduzidas da melhor forma para isso, não deixando que a mensagem seja perdida ou apenas transpassada, mas digerida e absorvida é um objetivo que artistas, educadores e meseulogistas sempre buscaram, e agora há mais uma ferramenta para ajudar nesse objetivo, a neurociência. Compreender não só como a arte é produzida, mas como nós a apreciamos e o melhor jeito de vivenciá-la é um dos papéis que a neurociência exerce, tornando-a cada dia mais importante para o dia a dia do mundo moderno. Referências: BRIEBER, David et al. Art in time and space: context modulates the relation between art experience and viewing time. PLoS One, v. 9, n. 6, p. e99019, 2014.

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