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Tratamento da Doença de Parkinson por Estimulação Profunda


Patologias associadas à neurodegeneração, a Doença de Parkinson é a segunda mais comum, com uma prevalência de 1% da população com mais de 65 anos, ficando atrás apenas da Doença de Alzheimer.

A doença é progressiva e afeta os neurônios dopaminérgicos localizados na substância negra compacta, os axônios que partem dessa região se projetam para o corpo estriado e a diminuição da neurotransmissão dopaminérgica nigroestriatal, principalmente no putâmen, acaba afetando as vias direta e indireta do movimento, culminando nos sintomas motores caracterizadas por tremor em repouso, rigidez, bradicinesia (retardo em iniciar movimentos), instabilidade postural e distúrbios de marcha.

Afim de caracterizar a progressão desta patologia, esta foi submetida a uma escala de cindo estágios, na qual o individuo inicialmente possui um comprometimento unilateral do corpo, mas sem comprometimento funcional, seguido de um comprometimento maio, no qual os distúrbios motores se apresentam bilateralmente, sem afetar o equilíbrio, no estágio 3 se inicia a instabilidade postural mas o paciente ainda é funcionalmente independente, o estágio 4 se caracteriza por uma incapacidade grave, ainda que o paciente consiga ficar em pé e caminhas sem ajuda e, por fim, no último estágio, existe uma total dependência funcional e o individuo encontra-se confinado a uma cadeira de rodas.

O acometimento da força e resistência muscular, equilíbrio, flexibilidade, agilidade e coordenação, torna o paciente funcionalmente dependente, entretanto, a doença possui também manifestações não motoras e a depressão é a que apresenta maior índice, cerca de 40%. Levando em consideração os impactos que a doença traz à qualidade de vida dos afetados, a Organização Mundial da Saúde definiu alguns indicadores, para mensurar, sob um conceito subjetivo, a qualidade de vida da população, o que acaba por ressaltar como o comprometimento físico e mental associados aos sintomas e complicações dos portadores da DP podem influenciar negativamente a qualidade de vida, levando ao isolamento.

O tratamento da DP é sintomático e fundamentalmente farmacológico, no qual se destaca a levodopa, um precursor metabólico da dopamina que, ao chegar ao Sistema Nervoso Central, se converte em dopamina por descarboxilação, entretanto apenas de 1 a 3% da levodopa administrada chega ao encéfalo de forma inalterada, sendo metabolizada previamente à dopamina, que não atravessa a barreira hematoencefálica. O uso deste fármaco é bastante problemático, pois, à medida que a doença progride, se torna necessário o uso de doses cada vez mais elevadas, que geram efeitos colaterais como discinesia (movimentos involuntários), que aparece geralmente após dois anos de tratamento, podendo tornar-se bastante graves. Eles ocorrem no pico do efeito terapêutico, estreitando cada vez mais a margem entre o benefício e o efeito discinético.

Afim de melhorar a qualidade de vida dos parkinsonianos, uma nova técnica de tratamento sintomático foi criada: a estimulação profunda do núcleo subtalâmico. Esta técnica consiste na implantação de eletrodos cirurgicamente por estereotaxia e é conhecida por melhorar todos os sintomas cardinais da DP, incluindo tremor, bradicinesia e rigidez, além de melhorar a qualidade de vida de pacientes com DP avançada ou moderada.

Dentre os principais benefícios da estimulação profunda estão a lesão tecidual mínima associada à implantação de eletrodos e a reversibilidade dos efeitos da neuroestimulação. Esta última possibilita o ajuste não invasivo do programa de estimulação pela manipulação de múltiplos parâmetros tais como modo de estimulação monopolar ou bipolar, polaridade do eletrodo, frequência, largura de pulso e amplitude de estimulação, oferecendo um programa de tratamento eficaz e confortável individualmente adaptado para cada paciente e minimizando ao máximo os efeitos colaterais relacionados. Dados de autópsia de pacientes que passaram pela intervenção cirúrgica (com causas da morte não relacionadas a mesma) indicam que a intervenção cirúrgica e a exposição elétrica a longo prazo não causam danos perceptíveis nas estruturas ao redor do eletrodo ativo. Referências: http://periodicos.unicesumar.edu.br/index.php/saudpesq/article/view/1353 http://www.mdpi.com/2076-3425/8/4/66/htm

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