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A importância de cuidar da saúde em tempos de quarentena

Atualizado: 24 de out. de 2021


Quarentena é um termo que diz respeito à separação e restrição do movimento de pessoas para evitar a exposição e transmissão de uma doença, que é diferente de isolamento, no qual pessoas com o diagnóstico de uma determinada doença contagiosa são separadas.

A primeira vez em que a prática de quarentena foi utilizada, data-se de 1127, em Veneza, com o intuito de combater a lepra; posteriormente essa técnica foi posta para combater o avanço da peste negra. Mais recentemente foi utilizada para se combater a epidemia de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) em 2003 e o vírus Ebola em alguns países na África em 2014.

Já em março de 2020, diversos países adotaram a prática para desacelerar a transmissão de COVID-19, assim é possível ver os resultados de se adiar ou ignorar os avisos da Organização Mundial da Saúde a partir da alta taxa de letalidade em outros países. No Brasil, até o dia 3 de abril, já contava com 8076 casos confirmados.

Até o presente momento não é possível prever quando acabará a quarentena, uma vez que ela se mostra extremamente necessária para evitar o aumento de casos, o que especialistas vêm chamando de “frear a curva” ao se comunicar com o público leigo. Mas, por outro lado, pouco se sabe dos efeitos da quarentena em relação a saúde mental? E, sobretudo, o que pode ser feito em relação a isso?

Antes mesmo dos quadros clínicos se agravarem em todo o mundo, um grupo de pesquisadores já havia revisado publicações de centenas de artigos descrevendo quadros de saúde mental de quarentena em diversas circunstâncias: em países como Taiwan, Canadá, Senegal, com os mais variados grupos presentes, em quarentenas curta, de 5 a 10 dias ou com duração de 21 dias e. Assim foi possível identificar uma série de comportamentos envolvidos ao ser necessário o isolamento social como parte do combate a uma doença. Dentre as características, foi observado em diversas situações os fatores estressores, que acabam tornando a quarentena mais difícil. São vistos em quarentenas mais longas, nas quais se é possível observar sintomas relacionados a estresse pós-traumático e comportamentos de raiva; o medo de estar infectado e contaminar um parente dentro de casa também foi observado em algumas pesquisas.

Além disso, vale ressaltar que a perda de uma rotina e de contato social levam ao cansaço e ao tédio, assim como a falta de mantimentos, que se mostrou um fator a agravar a ansiedade durante e depois da quarentena. Nesse sentido, é observável que o subsídio das esferas políticas se faz necessária para que famílias mais necessitadas possam enfrentar uma crise. Não obstante, criar uma rotina com atividades é importante para se passar esse período. Anotar horários para afazeres, ter momentos para se comunicar com pessoas, em especial quando for possível fazer uma vídeo chamada e ver o rosto das pessoas.

Para minimizar os efeitos e tornar esse período possível, Kasley Killam, especialista em saúde coletiva, escreveu na revista americana Scientific American algumas dicas para aproveitar melhor esse período:

  • É extremamente recomendável a interação social nesse período, em especial se for possível uma realização através de vídeo chamada. Além da afetividade, expressões faciais, linguagem corporal e outras formas não-verbais de comunicação são importantes para manter um vínculo entre as pessoas.

  • Mande mensagens aos seus amigos mais próximos. Um e-mail, uma mensagem expressando seus sentimentos e como ela é importante para você. Além disso ser benéfico para o seu amigo, é importante para o seu próprio bem-estar essas pequenas doses de dopamina.

  • Tenha um hobbie e converse sobre ele. Há sempre uma página, um grupo de pessoas compartilhando os mesmos gostos e comentando a respeito. É uma excelente oportunidade para adquirir novas experiências e manter-se ocupado durante esse período difícil.

  • Além disso, manter uma rotina é essencial. Ter uma agenda ou um cronograma das coisas que precisam ser feitas otimiza o seu tempo e impede grandes intervalos sem ter atividades, dando a sensação de tédio ou falta do que fazer. Na própria lista, é possível traçar objetivos para mostrar como está sendo seu progresso: terminou de ler um livro? Anote. Limpou uma bagunça que postergou por meses? Anote. Isso nos dá maior sensação de controle e de autorrealização.

Em suma, a quarentena é uma ferramenta necessária para impedir uma propagação rápida do vírus, como pode ser observado em dados estatísticos atuais. Os efeitos na saúde mental, embora preocupantes, podem ser minimizados através de ações individuais, coletivas - conforme supracitadas -, e até mesmo de órgãos federais. Já é possível mapear, rastrear e fazer simulações do comportamento do vírus, e isso é possível com uma ação conjunta entre as autoridades de saúde - que tem instrumentos para e acompanhar o comportamento e a transmissão -, os governos - que podem subsidiar não apenas as pesquisas, mas também a saúde hospitalar e ajudar a diminuir a preocupação econômica dos meus vulneráveis com iniciativas financeiras -, além do papel cívico de se manter em casa para cuidar de si e dos outros.

Referências:

BROOKS, S.K.; WEBSTER, R.K.; SMITH, L. E.; WOODLAND, L.; WESSELY, S.; GREENBERG, N.; RUBIN, G. J. The psychological impact of quarantine and how to reduce it: rapid review of the evidence. Lancet, v. 395, p. 912-920, 2020.

DESCLAUX, A.; BADJI, D.; NDIONE, A. G.; SOW, K. Accepted monitoring or endured quarantine? Ebola contacts' perceptions in Senegal. Social Science & Medicine, v. 178, p. 38-45, 2017.

https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2020/04/03/casos-de-coronavirus-no-brasil-em-3-de-abril.ghtml

https://www.scientificamerican.com/article/how-to-prevent-loneliness-in-a-time-of-social-distancing/?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=mind&utm_content=link&utm_term=2020-03-18_featured-this-week&spMailingID=64329662&spUserID=MzQxNTMwOTExODMS1&spJobID=1842237611&spReportId=MTg0MjIzNzYxMQS2

https://www.apa.org/news/apa/2020/03/psychologist-covid-19?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=apa-pandemics&utm_content=news-covid-psych-toll


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