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Burnout pode causar depressão e ansiedade?


A síndrome de burnout (ou simplesmente burnout) tornou-se mais conhecida nos últimos anos devido ao ritmo cada vez mais acelerado que levamos nossa vida, à necessidade de bater metas, de aumentar a demanda de trabalho e, de muitas vezes, tentar produzir acima do nosso limite. Esse distúrbio nada mais é do que um quadro psiquiátrico causado por um excesso de demanda cognitiva, comumente ocorrendo em pessoas que são viciadas em trabalho, conhecidas também como workaholics. O paciente com burnout apresenta um conjunto de sintomas, sendo bastantes evidentes a exaustão emocional, a despersonalização e a falta de comprometimento no trabalho.

O desânimo, o erro em tarefas básicas, o isolamento social (é normal as pessoas evitarem o contato e passarem a responder mais por e-mail, por exemplo), refletem bastante um possível diagnóstico de burnout. Esse excesso de estresse cognitivo pode ser causado também por um estresse emocional, mas normalmente é relacionado ao trabalho e a profissões que demandam alto nível de exigência, como professores, médicos, socorristas, bombeiros, entre outros. Conforme o que foi citado acima, não é difícil lembrar de depressão e ansiedade e, evidentemente, burnout não está muito distante de nenhuma dessas duas. Mas, tenha cuidado.

Uma meta-análise publicada no início de 2019 tratou de verificar a correlação entre depressão-burnout e ansiedade-burnout. O estudo pretendia identificar se havia alguma sobreposição e/ou um potencial moderador entre essas duas correlações citadas acima. Após a análise de diversos artigos anteriores (visto que é um estudo de revisão e meta-analítico), chegou-se à conclusão de que não se pode afirmar que o burnout preceda a depressão ou a ansiedade, mesmo que os três distúrbios apresentem muitas similaridades. Porém, é reiterado que uma pessoa com maior propensão à burnout, também é mais propensa a ter ansiedade e depressão. Logo, não existe uma relação de causalidade confirmada, mas sim uma suscetibilidade maior entre esses três distúrbios, segundo os resultados obtidos através das meta-análises realizadas nesse estudo.

O que podemos concluir de tudo isso? Nós não podemos relacionar causalmente burnout com ansiedade e depressão, mas na presença de qualquer uma das três, existe uma propensão maior de se desenvolver as outras duas. Então, é preciso sempre respeitar os limites cognitivos, gerenciar o tempo é extremamente necessário.

Exercícios físicos, uma boa alimentação, boas horas de sono aqui valem também, como de praxe. Na presença de qualquer sintoma, procure um psiquiatra para um diagnóstico correto e um psicólogo para auxiliar no tratamento.

O mais importante é que a síndrome de burnout não é nenhum tipo de invenção por parte do paciente. É importante frisar que ela é passível de atestado e deve ser respeitada assim como ansiedade e depressão também devem ser. Lembre-se sempre de procurar profissionais capacitados para realizarem avaliações cabíveis na suspeita de algum sintoma.

Referências:

KOUTSIMANI, P.; MONTGOMERY A.; GEORGANTA, K. The relationship betweeen burnout, depression, and anxiety: A systematic review and meta-analysis. Frontiers in Psycology, v. 10, a. 284, 2019

https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-burnout-esgotamento-profissional/


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