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A ética do mapeamento genético



O mapeamento genético ainda não é coisa comum no Brasil, mas com certeza está se disseminando rapidamente. Cada vez mais pessoas buscam informações sobre sua predisposição e a predisposição de seus filhos a desenvolver doenças como cardiopatias, cânceres, diabetes, colesterol alto, doenças neurodegenerativas, etc. Tudo com o objetivo de se antecipar, de mudar hábitos alimentares, praticar exercícios, tomar medicamentos e vitaminas ou até mesmo pensar sobre medidas mais drásticas como retirada de mamas, ovário etc.


Quando se trata especificamente de doenças neurológicas, o quadro se agrava um pouco. Já existem exames para doenças como Alzheimer, Huntington, epilepsia, Parkinson, entre outras. A USP mesmo possui testes para distrofias musculares, doenças cerebrovasculares, distúrbios de neurodesenvolvimento, doenças motoras e sensitivas, ataxia, miopatias e a famosa Esclerose Lateral Amiotrófica. O problema é que a grande maioria - senão todas - essas doenças não tem cura ou tratamento que postergue os sintomas.


E é aí que entra a terapia celular somática. Os pais, sabendo de sua predisposição genética a desenvolver uma enfermidade, podem realizar correções em suas células reprodutivas para eliminar tal risco. Ou até mesmo fazer o mapeamento genético de embriões antes de implantá-los. Mas seria esse um caso de eugenia? Estariam esses pais selecionando o melhor dos embriões, manipulando seu próprio material genético para criar humanos geneticamente modificados?


Esse tipo de tratamento seria especialmente útil nos casos de doenças neurodegenerativas citadas anteriormente. Não há a necessidade de passar por tratamentos e procedimentos caros e dolorosos ou tomar medicamentos continuamente se o risco de desenvolver tal patologia já foi eliminado antes mesmo da fecundação.


Muitos já questionaram se é correto o homem ultrapassar esse limite. Se devemos manipular a natureza desse modo, se os benefícios justificam os riscos de manipular geneticamente um embrião e se isso não poderia ser extrapolado para a criação de atletas ou soldados programados geneticamente, se não estamos “brincando de Deus”. Deixo aos bioéticos o dilema…



Fontes:

Júnior, Ítalo Márcio Batista Astoni. Ianotti, Giovano de Castro. Ética e medicina preditiva. Rev. Bras. Saúde Matern. Infant., Recife, 10 (Supl. 2): S377-S382 dez., 2010.


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