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Música e idioma: a otimização da aprendizagem



A música é algo bastante presente em nossas vidas e tem aplicações em inúmeras formas, inclusive na aprendizagem, o que tem tornado mais frequente a inserção dela no ambiente escolar. Um estudo foi realizado com o objetivo de observar se o treinamento musical compensa a falta de experiência com um determinado idioma, que nesse caso era o inglês.


A pesquisa consistia na avaliação de três grupos: os não músicos e nativos (americanos), os músicos não nativos (franceses) e os não músicos e não nativos (franceses). Os músicos não nativos não tinham qualquer outro tipo de treinamento do idioma, com exceção da música, a fim de evitar interferência no objetivo da pesquisa. Os grupos foram analisados por um mesmo avaliador e pelo mesmo equipamento para evitar vieses, assim, o mesmo fez as análises na França e depois viajou aos Estados Unidos para realizar as coletas dos nativos de lá.


A pesquisa consistia na identificação da sílaba “thae”, com as consoantes vindas de “the” e “ae” de “cat” (correspondendo ao som da pronúncia da palavra). Essa composição é presente no idioma inglês, porém não possui som semelhante no idioma francês. Os participantes ficavam dentro de cabines isoladas acusticamente e eletricamente, assistindo a um filme com subtítulos, sentados em uma cadeira reclinável e com os eletrodos do EEG para medir a ativação das áreas correspondentes à sílaba quando aparecesse.


Após os testes, observou-se uma distinção e uma similaridade. O grupo não músico e não nativo apresentou níveis inferiores aos outros dois grupos a respeito da análise de frequências correspondentes a vogais formantes (F1) e não formantes (não F1). Os outros dois grupos apresentaram níveis similares entre eles e superiores aos não músicos e não nativos em relação à F1 e não F1. As frequências harmônicas (H2-H6) não apresentaram distinção relevante na análise da pesquisa entre os três grupos.


O resultado leva a um achado bastante interessante. O treinamento musical parece realmente compensar a falta de experiência com o idioma, conforme a pesquisa, já que os músicos não nativos apresentam superioridade aos não músicos e não nativos, bem como similaridade aos falantes nativos, ainda que seja apenas na análise de um aspecto, já representa uma vantagem considerável. Esses achados trazem implicações importantes, como o desenvolvimento de uma metodologia baseada na música para a aprendizagem de um segundo idioma. Estudos mais adiante devem relatar a extensão desse efeito pelo treinamento musical e analisar os componentes naturais pré-existentes que facilitem os candidatos a aquisição desse tipo de informação, para refinar ainda mais as informações encontradas. Segundo o estudo, quando nos referimos de processamento auditivo inicial e suas representações subcorticais, o treinamento musical demonstra um papel interessante na aprendizagem de um segundo idioma.


Referências:

Intartaglia, B., White-Schwoch, T., Kraus, N. and Schön, D., (2017). Music training enhances the automatic neural processing of foreign speech sounds. Scientific Reports, 7(1), p.1-7.

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