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Como a avaliação estética e a neurociência se comunicam

Atualizado: 9 de jun. de 2020


Quando vamos a um espetáculo de dança, ou até mesmo um teatro, muitas vezes não percebemos ou então não “damos crédito” a algo que só um dançarino provavelmente notaria. Algo como a posição do pé, o giro feito com perfeição, a inclinação da cabeça e outros. Certamente, podemos ir a um espetáculo e não o apreciar, mas alguém que o observa com outros olhos, aos olhos de um profissional em certa área, pode achá-lo bom pelas roupas bem costuradas, as luzes que produziram importantes efeitos, o cenário bem elaborado e uma dança executada a perfeição.


Devido a isso, uma pesquisa feita sobre o “que ocorre no cérebro dos dançarinos quando eles observam movimentos sinestesicamente familiares” (Merino, Glaser, Grezes, Passingham, Haggard, 2005) gravou dançarinos experientes e mostrou as filmagens tanto para eles como para dançarinos inexperientes e ambos os grupos usavam um aparelho de fMRI para medir sua atividade neuronal (isso é feito ao medir a variação da corrente sanguínea no cérebro) ao assistir os vídeos. O resultado obtido foi “comparados àqueles sem treinamento em dança, os dançarinos treinados demonstram atividade de rede de observação de ação relativamente elevada quando observam a forma de dança que estudaram” (Merino, Glaser, Grezes, Passingham, Haggard, 2005). E outros estudos comprovam isso.


Além disso, Montero afirma que os diversos estudos comparados demonstram que o tipo de prática/de dança é relevante para o efeito de redes de observação-ação. Por exemplo, ao se analisar o ballet, percebesse que tem movimentos executados apenas por mulheres, outros apenas por homens e outros feitos por ambos. Quando uma bailarina, com um fMRI conectado, viu todos esses tipos de movimentos serem executados teve um resultado no qual as áreas motoras de seu cérebro eram mais ativadas quando ela observava movimentos que seu gênero fazia e como conclusão obteve-se que “ a resposta do cérebro a observar uma ação depende não apenas do conhecimento visual anterior e da experiência de ver a ação, mas também da experiência motora anterior de executar a ação”.


De fato, ao analisar diversos estudos de ballet e outras danças, Montero conclui que “esses estudos neurológicos e comportamentais combinados apontam para a conclusão de que o treinamento em dança melhora a percepção motora da pessoa ao assistir a dança, de fato, ao observar o estilo específico de dança em que alguém foi treinado”. E ainda afirma que a percepção motora é o meio pelo qual se pode apreciar as qualidades estéticas dos movimentos de um dançarino.


Referências:

MONTERO, G. B. The artistic as critic: dance training, neuroscience, and aesthetic evaluation. The Journal of Aesthetics and Art Criticism. Maio, 2013. Vol 71, 169-175.


MERINO, B. C.; GLASER, D. E.; CREZES, J.; PASSINGHAM, R. E. & HAGGARD, P. Action observation and acquired motor skills: an fMRI study with expert dancers. Cerebral Cortex. 2005. Vol 15, 1243-1249.


Referencia da imagem: https://www.planetabandas.com.br/2018/03/a-danca-com-seus-sentidos-e-significados/ Acesso em 30/04/2020


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